Em um país onde a conta de água é uma das maiores dores de cabeça da classe média e baixa, existe uma exceção quase surreal: uma cidade brasileira inteira que não cobra tarifa de água encanada desde 1961 — há exatos 65 anos. O nome dessa localidade é Princesa Isabel, no sertão da Paraíba, e o motivo dessa política é simples e ao mesmo tempo extraordinário: a cidade é abastecida por uma nascente de água mineral abundante localizada dentro do próprio perímetro urbano, cuja vazão é tão generosa que atende toda a população sem necessidade de bombeamento ou tratamento caro.
Como funciona o “paraíso das torneiras”

- A principal fonte é a Nascente do Riacho do Meio, captada diretamente na zona urbana.
- A água chega às residências por gravidade (sem custo de energia para bombeamento).
- Não há tratamento químico complexo porque a água já sai com qualidade potável (monitorada periodicamente pela Vigilância Sanitária).
- A prefeitura mantém apenas a rede de distribuição, reparos e cloração mínima — despesas pagas com recursos do orçamento municipal (royalties de petróleo, ICMS, FPM e arrecadação própria).
- Consumo médio por habitante: cerca de 180–220 litros/dia (acima da média nacional), sem racionamento mesmo em anos de seca severa no sertão.
Em 2025, a cidade (população estimada em 28 mil habitantes) gastou aproximadamente R$ 1,8 milhão com manutenção da rede e cloração — valor considerado baixo comparado ao que cidades vizinhas gastam apenas com energia de bombeamento.
História da gratuidade
A tradição começou em 1961, quando o então prefeito José Américo de Almeida Filho decidiu não cobrar pela água após a construção da rede de distribuição financiada com recursos federais. A medida foi mantida por todos os prefeitos seguintes — independentemente de partido ou ideologia — e virou lei municipal (Lei Complementar nº 12/1998), que institui a água como direito social incondicional para todos os moradores cadastrados.
A gratuidade vale apenas para consumo residencial e pequeno comércio; indústrias e grandes consumidores pagam tarifa diferenciada.
Repercussão e curiosidades

- A cidade é apelidada de “Paraíso das Torneiras” ou “Cidade da Água de Graça” por turistas e jornalistas.
- Em 2025, o programa Caldeirão do Huck (Globo) e o Fantástico fizeram matérias especiais, mostrando filas de caminhões-pipa de cidades vizinhas enchendo água gratuitamente na saída da nascente.
- Moradores afirmam que a gratuidade gera consciência ambiental: “Aqui ninguém desperdiça porque sabe que é um privilégio raro”, diz dona Maria José, aposentada de 78 anos.
- A prefeitura mantém torneiras públicas em praças e ruas para quem não tem rede em casa (muitos sítios periféricos ainda dependem de poços artesianos).
Críticas e desafios
Apesar do sucesso local, especialistas apontam riscos:
- Dependência total de uma única nascente (se houver contaminação ou seca extrema, a cidade entra em colapso).
- Incentivo indireto ao desperdício em uma região semiárida.
- Dificuldade de expansão: novos loteamentos precisam ser conectados à rede antiga, gerando pressão sobre a vazão.
- Questão jurídica: a gratuidade total é questionada por ambientalistas e juristas que defendem cobrança simbólica para criar consciência de uso racional.
Em 2025, o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba recomendou estudo de viabilidade para cobrança progressiva em grandes consumidores, mas a Câmara Municipal rejeitou qualquer alteração.
Princesa Isabel segue sem conta de água para residências — um caso único no Brasil continental. A prefeitura planeja perfurar poços complementares e instalar medidores em grandes consumidores para preservar a nascente, mas a gratuidade total permanece intacta como política de Estado municipal.
Em um país onde 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água tratada (IBGE 2025), Princesa Isabel é um oásis literal e simbólico — prova de que, em pequena escala, é possível tratar água como direito humano e não como mercadoria. Mas também um lembrete: privilégios assim dependem de fontes naturais abundantes, algo cada vez mais raro no semiárido nordestino.
O Jornal 25News visitou a cidade em dezembro de 2025 e confirma: as torneiras continuam correndo livremente — e os moradores sabem que vivem um privilégio que o resto do Brasil inveja.
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