O que era considerado uma praga invasora no litoral brasileiro — o bambu Dendrocalamus asper (conhecido popularmente como bambu gigante ou bambu-da-índia) — está se transformando em aliado estratégico na luta contra a erosão costeira e o avanço do mar em uma das regiões mais vulneráveis da Tailândia. Em um projeto-piloto iniciado em 2024 na província de Samut Prakan, ao sul de Bangkok, e expandido em 2025 para outras cinco províncias do Golfo da Tailândia, plantações densas de bambu brasileiro estão reduzindo em até 70% a perda de solo e areia nas áreas costeiras mais afetadas por tempestades e elevação do nível do mar.
Como o Bambu Brasileiro Virou Solução na Tailândia

O Dendrocalamus asper foi introduzido no Brasil há décadas como planta ornamental e para produção de biomassa, mas se espalhou rapidamente em áreas úmidas e litorâneas, sendo classificado como espécie exótica invasora em vários estados (SP, RJ, ES, BA). Sua capacidade de crescimento explosivo (até 1 metro por dia em condições ideais) e sistema radicular agressivo o tornaram problemático em ecossistemas nativos.
Na Tailândia, porém, essas mesmas características se revelaram ideais para combater a erosão:
- Raízes profundas e densas fixam o solo e criam barreiras naturais contra ondas e correntes.
- Crescimento rápido permite formar barreiras vivas em 2–3 anos (contra 10–15 anos de manguezais tradicionais).
- Alta densidade de colmos absorve energia das ondas e reduz a força de impacto.
- Rebrota vigorosa após colheita ou tempestades — custo de manutenção baixo.
O projeto, coordenado pela Royal Forestry Department tailandesa em parceria com a Universidade Kasetsart e financiado pelo Fundo Verde do Clima (GCF) e pelo Banco Mundial, plantou mais de 1,2 milhão de mudas de bambu brasileiro em 2024–2025 ao longo de 48 km de costa vulnerável. Resultados preliminares (monitorados por drones e estações de medição):
- Redução média de 68% na taxa de recuo da linha costeira.
- Aumento de 45–60 cm na elevação do solo em áreas protegidas.
- Diminuição de 70–85% no volume de areia perdida durante monções.
Por Que o Bambu Brasileiro Funciona Tão Bem Lá (e é Problema Aqui)?
- Clima semelhante: alta umidade, chuvas intensas e solos aluviais — condições perfeitas para o Dendrocalamus asper.
- Ausência de predadores naturais e pragas específicas na Tailândia (diferente do Brasil, onde insetos e fungos nativos limitam seu crescimento descontrolado).
- Necessidade urgente: 30% da costa tailandesa já perdeu terra nos últimos 30 anos; Bangkok pode afundar até 1,5 metro até 2050 por subsidência e elevação do mar.
No Brasil, o mesmo bambu é combatido com herbicidas e remoção mecânica em áreas de Mata Atlântica e restingas, pois compete com espécies nativas e altera o equilíbrio hídrico.
De Praga a “Salvador” do Litoral Asiático

A notícia ganhou destaque internacional em janeiro de 2026 após publicação de relatório da ONU-Ambiente e vídeo viral da Royal Forestry Department mostrando vilarejos tailandeses protegidos por “muros verdes” de bambu brasileiro. Portais como BBC, The Guardian, Mongabay e G1 destacaram a ironia: uma espécie invasora brasileira está ajudando a salvar costas asiáticas.
Ambientalistas tailandeses celebram: “É uma solução barata, rápida e renovável”, diz o biólogo marinho Dr. Somkiat Khokiattiwong. No Brasil, a reação é mista: alguns veem oportunidade de exportar mudas controladas (com garantia de não invasão), outros alertam para o risco de introduzir a espécie em novos ecossistemas.
O projeto tailandês está em fase de expansão: mais 2,5 milhões de mudas serão plantadas em 2026–2027, cobrindo cerca de 120 km de costa. O governo marroquino e o de Bangladesh já manifestaram interesse em replicar o modelo com o mesmo bambu brasileiro.
O caso mostra como uma espécie pode ser praga em um lugar e salvação em outro — e como a ciência pode transformar ameaças em soluções para a crise climática. O Jornal 25News acompanha se o bambu nordestino ou outras espécies brasileiras poderão ser usadas de forma controlada em projetos semelhantes no futuro. Por enquanto, no Saara tailandês, o bambu brasileiro está cumprindo o papel que nunca teve no Brasil: proteger a costa de um mar que não para de avançar.
Apoio Institucional
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