Editorial 360° | Mário Marcovicchio: Quando a Suprema Corte do país Flerta com o Crime.
STF: Guardião da Lei ou Parte do Problema?
A indignação de um país chamado Brasil!
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, terça-feira, 23.12.2025.
O Supremo Tribunal Federal, símbolo máximo da Constituição, não pode ser envolvido em zonas cinzentas. Quando isso acontece, o impacto é devastador. Não há cortina que esconda. Não há nota fria que apague. O país sente.
No centro da turbulência está o ministro Alexandre de Moraes, citado em relatos de pressões sobre o presidente do Banco Central em favor de interesses financeiros privados. Não se trata aqui de condenação — trata-se de algo talvez ainda mais grave: a suspeita.
E suspeita, quando recai sobre a Suprema Corte, corrói.
⚖️ O STF não é um poder comum
O Supremo não é um ministério, não é um banco, não é um gabinete político. O STF é o último degrau institucional. É onde o cidadão acredita que ainda existe limite, regra, freio e razão. Quando esse degrau balança, todo o prédio democrático treme.
A indignação que hoje percorre o país não nasce de torcida, ideologia ou militância. Ela nasce da pergunta simples, quase infantil, mas profundamente honesta:
Quem vigia os que deveriam vigiar tudo?
O efeito dominó da desconfiança
Quando empresários, juristas, banqueiros e servidores começam a repetir a mesma história — em São Paulo, em Brasília, nos bastidores do poder — o problema deixa de ser “fofoca” e passa a ser alerta institucional.
Não é a Faria Lima que está em chamas.
É a credibilidade do sistema.
O silêncio oficial não ajuda. Pelo contrário: amplifica. Em tempos de crise, a ausência de explicações não é neutralidade — é combustível.
Um país cansado de exceções
O Brasil já tolerou demais a lógica do “caso especial”. Já aceitou demais que alguns sejam sempre intocáveis. Já normalizou demais o argumento de que “não é bem assim”.
Mas agora o incômodo ultrapassou bolhas. Chegou ao cidadão comum, ao trabalhador, ao investidor, ao jovem que olha para as instituições e pergunta se vale a pena acreditar.
Editorial 360°
Este editorial não acusa. Exige.
Exige transparência.
Exige explicações públicas.
Exige que a maior Corte do país se comporte como aquilo que simboliza: o teto moral da República.
Sem isso, o dano não será apenas jurídico. Será histórico.
Porque quando a Suprema Corte entra em suspeita, não é um ministro que está em julgamento — é a própria democracia brasileira.




