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CONTA DO GUARDA: CÂMARA APROVA AUMENTO DA GCM EM SP.

Enquanto projeto de reajuste salarial passa em primeira votação, vereadores aproveitam sessão para aprovar pacote com 47 projetos próprios no Palácio Anchieta.

Centro Histórico de São Paulo, 21 de maio de 2026.

Se você costuma andar pelas ruas de São Paulo cobrando mais segurança no seu bairro, prepare-se para ver a conta dessa engrenagem, chegar direto no orçamento público.

Em uma sessão marcada por negociações intensas e articulações de bastidores no Palácio Anchieta, no Centro Histórico, a Câmara Municipal aprovou nesta quarta-feira (20), em primeira votação, o projeto de lei que reajusta os salários e reestrutura as carreiras da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

Mas a bondade com o chapéu do contribuinte não veio sozinha: em uma verdadeira manobra de "limpa-pauta", os parlamentares aproveitaram a mesma sessão para aprovar, a toque de caixa, um pacotão com nada menos que 47 projetos de autoria dos próprios vereadores.

A ENGRENAGEM DO FATO: O esquema de votações na Câmara de São Paulo, funciona como uma engrenagem de trocas políticas muito bem azeitada. De um lado, o governo municipal precisa de apoio para aprovar projetos de grande impacto financeiro e político, como o reajuste da GCM — uma categoria armada de mais de 7 mil homens, que cobra valorização diante da explosão da violência na capital.

Do outro lado, os vereadores cobram a sua fatia de prestígio e a aprovação de suas próprias demandas. Para que o reajuste da guarda passasse sem sobressaltos na primeira votação, a mesa diretora abriu a porteira para o chamado "pacotão de vereadores".

No meio dos 47 projetos aprovados de carona, estão desde declarações de utilidade pública e criações de datas comemorativas, até mudanças de nomes de praças que servem apenas para o político fazer média com seu curral eleitoral.

O problema é que, enquanto os políticos comemoram seus projetos aprovados, a conta de toda essa estrutura e dos novos salários da segurança municipal, é faturada direto no imposto que você paga no dia a dia.

VOZES E ANÁLISE: "O guarda na ponta da linha precisa de salário digno para defender as nossas escolas e praças, mas é revoltante ver que para aprovar o óbvio, os políticos precisam fazer esse feirão de projetos particulares", desabafa um comerciante do Viaduto Jacareí, vizinho da Câmara Municipal.

Analistas de contas públicas, apontam que o reajuste da GCM é necessário para conter a evasão de policiais para outras corporações, mas criticam o método de votação em bloco. "A reestruturação da GCM, tem um impacto de milhões no caixa da prefeitura. Ela deveria ser discutida de forma isolada, técnica e transparente.

Quando você junta o reajuste salarial com um caminhão de 47 projetos paroquiais de vereadores na mesma tarde, a discussão perde a seriedade e o contribuinte perde o controle de onde o dinheiro público está sendo alocado", alertam os especialistas em gestão municipal.

DADOS OFICIAIS:

  • Valor/Pena: Impacto financeiro anual estimado em mais de R$ 120 milhões para o reajuste e reestruturação da carreira da GCM.
  • Base Legal: Projeto de Lei (PL) do Executivo aprovado em 1ª votação na sessão ordinária de 20 de maio de 2026, necessitando de uma segunda votação para ir à sanção.
  • Localização: Câmara Municipal de São Paulo, Palácio Anchieta, Centro de SP.
  • Impacto Social: O custo total da folha reajustada da guarda e das emendas parlamentares aprovadas, equivale ao valor necessário para reformar mais de 40 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) nas periferias da capital paulista.

O RIGOR DA LEI: A segurança pública é coisa séria, e a Guarda Civil Metropolitana merece todo o respeito, treinamento e remuneração digna para proteger as famílias de São Paulo, contra a criminalidade que avança sobre o nosso asfalto.

O rigor da lei e a valorização de quem arrisca a vida de farda azul-marinho nas nossas ruas são urgentes e inegociáveis. O que não podemos tolerar é o oportunismo político, que transforma o Palácio Anchieta em um balcão de negócios de votações.

O vereador paulistano é pago para fiscalizar e legislar pelo bem comum da cidade, e não para usar o reajuste dos guardas, como moeda de troca para passar projetos irrelevantes e garantir palanque eleitoral.

A prefeitura e a câmara, precisam entender que o bolso do cidadão não é um poço sem fundo para financiar barganhas de plenário. A segurança do povo deve ser tratada com seriedade administrativa, sem carona política e sem desperdício de dinheiro público.

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:

Você acredita que o reajuste da GCM, é um investimento justo e necessário para melhorar a segurança das nossas ruas, ou acha que a aprovação conjunta de 47 projetos de vereadores prova que a Câmara Municipal continua funcionando como um balcão de negócios políticos pagos pelo contribuinte?

 

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