A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação Latus Actio II, voltada contra policiais civis suspeitos de exigir propina de influenciadores digitais em São Paulo. Os agentes cumprem um mandado de prisão preventiva e seis de busca e apreensão em cinco cidades do estado, incluindo a capital.
As investigações apontam que os policiais teriam solicitado dinheiro de empresários, artistas e produtores de conteúdo para arquivar inquéritos relacionados à exploração de jogos de azar, principalmente rifas divulgadas em redes sociais. Entre os alvos da operação está o funkeiro MC Paiva.
Rifas ilegais e chantagem
A Polícia Federal destacou que sorteios no formato de rifas, promovidos por influenciadores, configuram jogos de azar não autorizados pelo Ministério da Fazenda. Muitos desses artistas temiam que os inquéritos resultassem em ordens judiciais de bloqueio de seus perfis, principalmente no Instagram, o que poderia gerar perdas financeiras e danos à reputação.
Para evitar tais consequências, alguns influenciadores teriam concordado em pagar propina aos agentes. A ação desta quinta-feira conta com a participação da Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado (Ficco-SP) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
As ordens judiciais estão sendo cumpridas em São Paulo, Mauá, São Caetano do Sul, Mogi das Cruzes e São José dos Campos.
Pronunciamento oficial
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou, por meio de nota, que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha a operação e colabora com as investigações.
“Detalhes devem ser direcionados aos órgãos competentes. A Polícia Civil colabora com as investigações”, afirmou a SSP.
Fase anterior da operação
Em março deste ano, a primeira fase da Operação Latus Actio resultou na apreensão de imóveis, veículos e bens de luxo avaliados em mais de R$ 60 milhões. A ação mirou crimes como lavagem de dinheiro e fraudes tributárias, envolvendo indivíduos e empresas do setor de entretenimento e autopeças.
As investigações, iniciadas em 2022, revelaram a utilização de “laranjas” e empresas de fachada para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita. Na ocasião, foram apreendidos 47 veículos de luxo, quatro motos aquáticas, 20 relógios avaliados em mais de R$ 500 mil, além de R$ 642 mil em espécie.
A operação segue desdobramentos e promete avançar em novas frentes nos próximos meses.

