Rosemeire Monteiro de Francisco Ibañez, chefe da Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo, solicitou afastamento do cargo após a prisão de seu sobrinho, Eduardo Lopes Monteiro, suspeito de extorquir bens de um delator do PCC e de utilizar a relação familiar para se proteger de investigações. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (20), ocorre em meio ao avanço das apurações da Operação Tacitus.
Fontes ouvidas pela TV Globo apontam que Rosemeire justificou o pedido de afastamento como uma medida diante do desgaste causado pelas acusações envolvendo Eduardo. Até o momento, o cargo segue sem substituto definido.
Relações familiares e denúncias de corrupção
Eduardo Monteiro, detido na última terça-feira (17) em Bragança Paulista, é acusado de colaborar com o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a Polícia Federal (PF), ele teria citado seu parentesco com Rosemeire como uma “imunidade” a investigações internas. O delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, assassinado durante sua colaboração premiada, afirmou possuir áudios que comprovam a alegação.
Gritzbach também acusou Eduardo de se apropriar de bens como relógios, computadores e dinheiro durante uma operação policial. As investigações revelaram ainda movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de Eduardo, incluindo depósitos elevados em contas de pouco uso e transações imobiliárias com valores abaixo do mercado. Ele também é apontado como sócio de empresas suspeitas de ocultar bens ilícitos.
Desdobramentos da operação
A Operação Tacitus, conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público de São Paulo, investiga um esquema de corrupção envolvendo policiais civis, delegados e empresários. As acusações incluem extorsão, manipulação de investigações, venda de proteção a criminosos e lavagem de dinheiro em benefício do PCC.
Na ação, oito pessoas foram presas, incluindo o delegado Fábio Baena, acusado de extorsão junto com Eduardo Monteiro, além de policiais ligados à segurança do cantor Gusttavo Lima. A PF apreendeu dinheiro, armas e outros bens, indicando que o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões desde 2018.
Resposta das autoridades
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que Rosemeire se colocou à disposição para assumir outra função e garantiu o afastamento dos delegados envolvidos. A pasta destacou compromisso com a transparência e colaboração nas investigações.
As penas previstas para os investigados podem ultrapassar 30 anos de reclusão, dependendo das responsabilidades individuais apuradas.

