Nem o Amor Escapa: Alianças Viram Alvo dos ladrões em São Paulo
“Com 1.043 roubos de anéis e alianças só nos dois primeiros meses de 2025, ladrões miram o símbolo do amor — e expõem a falência na área da segurança pública na capital”
Centro de SP,02.05.25
Antigamente, uma aliança no dedo significava compromisso, afeto, fidelidade. Hoje, em São Paulo, carrega outro peso: risco de assalto. Usar um anel de ouro na rua tornou-se quase um ato de coragem — ou de descuido. Em apenas dois meses de 2025, 1.043 pessoas foram vítimas de roubo de alianças e anéis na capital paulista, um salto de 34,2% em relação ao mesmo período de 2024, quando 777 ocorrências foram registradas. E a pergunta que fica é: até onde vamos deixar isso acontecer?
Alvo preferido dos ladrões
Diferente de celulares ou carteiras, anéis e alianças são pequenos, valiosos e fáceis de revender — um “negócio” rápido e silencioso para o crime. Nas ruas da Zona Sul, Centro e até bairros considerados nobres, como Moema e Perdizes, criminosos têm abordado casais e retirado alianças direto dos dedos, muitas vezes com violência.

+1 caso no Ipiranga dia 30.05.25
Analista de sistemas é baleado no peito durante tentativa de assalto no Ipiranga
Crime ocorreu na noite de sexta-feira (30); criminosos queriam a aliança da vítima, que estava com o namorado e reagiu à abordagem.
Um analista de sistemas foi baleado no peito durante uma tentativa de assalto na noite da última sexta-feira (30), no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo. Ele passeava de mãos dadas com o namorado, quando foi abordado por dois criminosos armados, que desceram de duas motos.
Segundo testemunhas, os assaltantes exigiram a aliança da vítima. Apavorado e indignado, o analista tentou reagir — momento em que um dos criminosos efetuou um disparo, atingindo-o diretamente no peito. A dupla fugiu logo em seguida sem levar nada.
O homem foi socorrido por uma equipe do SAMU e encaminhado em estado grave ao Hospital Ipiranga. Até o momento, não há informações atualizadas sobre seu estado de saúde.
O caso foi registrado no 16º Distrito Policial (Vila Clementino) e será investigado como tentativa de latrocínio — roubo seguido de tentativa de homicídio.
Moradores da região relatam aumento da violência e cobram maior presença da polícia, especialmente durante a noite. A Polícia Militar realizou buscas na área, mas os suspeitos seguem foragidos.
Cadê o comando?
O crescimento dos roubos expõe a fragilidade da política de segurança pública. Enquanto as ruas se tornam campos de caça, o governo estadual parece vivendo uma realidade paralela, alheio à escalada do medo nas esquinas da cidade. O governador, em meio a discursos ensaiados, evita confrontar a dura verdade: a criminalidade está vencendo — e a população está sozinha.
Será que o comando da segurança pública precisa ser trocado? Ou será que, como muitos dizem nos bastidores, o chefe do Executivo estadual está refém de interesses na Assembleia Legislativa, com deputados priorizando acordos políticos em vez da proteção do povo?
Uma cidade onde nem o amor é respeitado
Ver alianças virarem alvo é simbólico. Quando até o símbolo mais íntimo e pessoal de um cidadão se torna mercadoria para o crime, é sinal de que a linha do aceitável já foi ultrapassada há muito tempo.
A capital paulista se transformou em um lugar onde você pensa duas vezes antes de sair com joias, celulares — e agora até com alianças. A pergunta que ecoa entre os moradores é simples e urgente:
Quando é que vamos ter paz para andar pelas ruas?

