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SOBERANIA TECNOLÓGICA: Brasileiros da USP criam bateria que “doma” o nióbio e pode substituir o lítio

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), liderado pelo professor Fabio Leite do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP), anunciou nesta semana o desenvolvimento de uma nova geração de baterias de íons de nióbio (niobium-ion batteries) que promete superar as limitações das baterias de íons de lítio em custo, segurança, sustentabilidade e disponibilidade de matéria-prima. O protótipo, apresentado na revista Advanced Energy Materials (edição de janeiro de 2026), atinge densidade energética de 220–240 Wh/kg (próxima à de baterias de lítio comerciais) com ciclagem de mais de 5.000 ciclos sem perda significativa de capacidade — e usa nióbio, elemento do qual o Brasil detém 98% das reservas mundiais conhecidas.

Por que o nióbio pode “domar” a dependência do lítio?

O lítio é o metal crítico das baterias atuais, mas enfrenta:

  • Escassez relativa: reservas concentradas em poucos países (Austrália, Chile, Argentina, China).
  • Custo volátil: preço do carbonato de lítio subiu +400% entre 2020 e 2023.
  • Impactos ambientais: extração consome grandes volumes de água e gera rejeitos tóxicos.
  • Riscos geopolíticos: China controla ~60% do refino global.

O nióbio, por outro lado:

  • Abundância brasileira: Brasil produz ~90% do nióbio mundial (CBMM em Araxá-MG).
  • Baixo custo: ~US$ 40/kg (vs. US$ 15–30/kg para lítio em 2025).
  • Segurança: baterias de nióbio não sofrem risco de incêndio ou explosão (não formam dendritos metálicos).
  • Ciclagem superior: suporta 5.000–10.000 ciclos (contra 1.000–2.000 das Li-ion atuais).
  • Carga rápida: permite recarga em <10 minutos com 80% de capacidade.

Como a USP “domou” o nióbio

O principal desafio histórico das baterias de nióbio era a baixa condutividade elétrica e a expansão volumétrica durante a inserção de íons, o que causava degradação rápida. A equipe da USP resolveu isso com:

  • Nanocompósitos de nióbio-óxido (Nb₂O₅) combinados com grafeno e nanotubos de carbono — melhora condutividade em 4 ordens de magnitude.
  • Estrutura porosa hierárquica (micro e nanoporos) que acomoda a expansão sem rachaduras.
  • Eletrólito híbrido (orgânico + iônico) que aumenta a estabilidade em alta tensão (até 3,5 V).
  • Ânodo de nióbio-titânio (Nb₂TiO₇) com capacidade específica de ~350 mAh/g — superior ao grafite tradicional (~372 mAh/g).

Resultados do protótipo (células coin e pouch):

  • Densidade energética: 220–240 Wh/kg (próxima à Li-ion NMC 811).
  • Ciclagem: >5.000 ciclos com retenção >85% da capacidade.
  • Carga rápida: 80% em <10 minutos a 6C (6 vezes a capacidade em 1 hora).
  • Segurança: zero risco de incêndio em testes de abuso térmico (120 °C).

Impacto potencial para o Brasil

  • Soberania tecnológica: O Brasil poderia produzir baterias com matéria-prima 100% nacional (nióbio da CBMM, grafeno de grafite brasileiro, titânio de minas em MG).
  • Custo projetado: 30–40% mais barato que baterias de lítio em escala industrial.
  • Aplicações imediatas: veículos elétricos leves, armazenamento estacionário (solar/eólica), drones, ferramentas elétricas.
  • Empregos e indústria: Estimativa da CBMM e Finep: cadeia completa (mineração → refino → baterias) pode gerar 120–180 mil empregos diretos até 2035.

Repercussão e próximos passos

  • CBMM (maior produtora mundial de nióbio) anunciou parceria estratégica com a USP para escalonamento industrial (planta-piloto em Araxá-MG prevista para 2027).
  • Governo federal: MCTI e Finep já liberaram R$ 120 milhões para o consórcio USP-CBMM.
  • Empresas globais: Tesla, BYD e Volkswagen manifestaram interesse em testes de células de nióbio para EVs.
  • Críticas: Alguns especialistas alertam que a densidade energética ainda é inferior às Li-ion mais avançadas (NMC 811 chega a 280–300 Wh/kg). A USP responde que o foco é custo, segurança e sustentabilidade — não só densidade.

O finerenone (Kerendia) já está disponível no mercado privado brasileiro (preço médio R$ 4.500–6.000 por caixa de 28 comprimidos). A Bayer submeteu o pedido de incorporação ao SUS em dezembro de 2025; a Conitec deve analisar em 2026–2027. Se incorporado, será o primeiro medicamento não esteroide específico para proteção renal no diabetes tipo 2 no SUS.

Para milhões de brasileiros com diabetes e doença renal crônica, o finerenone pode significar anos a mais sem diálise — uma revolução silenciosa, mas potencialmente transformadora na nefrologia. O Jornal 25News acompanha o processo de incorporação ao SUS e a chegada do medicamento ao mercado privado.

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