O Farol Santander, prédio localizado no Centro Histórico de São Paulo, acaba de ganhar um novo andar expositivo. Com a abertura do Memória do 6, no 6.º andar, a instituição agora tem nove andares para exposições. Até os anos 1990, esse andar, de 400 metros quadrados, abrigava escritórios de apoio à presidência do Banco do Estado de São Paulo, o Banespa, incorporado pelo Santander em 2000.
Para essa reabertura, depois de longo tempo fechado e vazio, o espaço foi totalmente higienizado, restaurado e teve sua iluminação refeita. A programação do andar tem curadoria de Ceres Storchi, Franz Manata e Nico Rocha. “Existia um sonho do banco de apresentar suas coleções, não só de artes visuais, mas de memória bancária, numismática (moedas, cédulas, medalhas), cartografia e mobiliária. Por isso, resolvemos abrir esse novo espaço”, diz Carlos Trevi, gestor do Farol Santander.
O Memória do 6 abriga uma galeria permanente e exposições temporárias. A permanente inclui um mobiliário original feito pelo Liceu de Artes e Ofícios, na maioria itens do final do século 19 e início do 20, provenientes de diversos bancos incorporados pelo Santander, como o Banespa e o Banco Francês Italiano.
“É muito importante essa dimensão didática. É por aí que as pessoas se encantam pela arte, pela beleza”
“Os próprios visitantes nos cobravam essa exposição numismática. No futuro, esse acervo particular pode compor um museu” Carlos Trevi
Gestor do Farol Santander
Esse mobiliário poderá ser visto na instalação A Onda, com cadeiras de diferentes épocas e estilos, muitas delas penduradas no teto e nas paredes. Em A Cobra, documentos, objetos e maquinários bancários revelam o funcionamento dos bancos até os anos 1950. Entre as curiosidades, uma máquina de escrever com caracteres em japonês que foi do Banco América do Sul e um livreto de criptografia para telegrama de 1906. A coleção de moedas traz exemplares de 1822 até 2024. Ao todo, 1.710. Na cenografia, há também os berços das moedas de que o banco ainda não dispõe. Algo como um álbum de figurinhas ainda por se completar. “Os próprios visitantes nos cobravam essa exposição numismática. As crianças são fascinadas pelo colecionismo. No futuro, esse acervo particular pode compor um museu”, diz Trevi.
PERCURSOS. Na galeria temporária, para a abertura, foram programados três percursos, com 29 obras. Em Cores das Cidades há nomes como André Lhote, Darel Valença Lins, Milton Dacosta e Carlos Bracher. No percurso Imaginários Brasileiros, dedicado a festas, mitos e personagens que formaram a identidade do País – estão nomes como Clóvis Graciano, Emiliano Di Cavalcanti, Antonio Henrique
Amaral, Aurélia Rubião e Manezinho Araújo. E em Natureza da Arte, com criações de Tomie Ohtake, Manfredo de Souzanetto e Manabu Mabe, entre outros, a natureza da arte é expressa de maneira livre.
Além de obras, o Memória do 6 exibe detalhes das técnicas de pinturas. A ideia é que as exposições temporárias durem seis meses. A próxima, segundo Trevi, vai abordar a escultura. “É muito importante essa dimensão didática. É por aí que as pessoas se encantam pela arte, pela beleza.”
QUEM VAI. Segundo Carlos Trevi, o Farol Santander faz um pesquisa diária do público que frequenta o prédio – cerca de mil pessoas por dia. O curioso é que 50% dos visitantes são estrangeiros. Do restante, 25% são moradores da capital e outros 25% de turismo interno.
Segundo o gestor, esse público não é atraído pelo famoso mirante do 26.º andar – que abriga também um café. “São as exposições. Isso aparece nas pesquisas. A vista lá de cima é um complemento, não o ponto principal”, afirma Trevi.
A abertura de mais um andar mostra que o Farol Santander segue apostando no Centro Histórico, apesar da degradação da área nos últimos anos. “Eu tenho a pretensão de dizer que o Farol é o Cristo Redentor de São Paulo”, diz Trevi. Prova disso é a próxima exposição, que será aberta no fim do mês. Batizada de São Paulo 3024, é uma projeção de como a cidade será daqui a mil anos. Imersiva, com o material feito por um grupo de artistas, nela o público poderá se fotografar em meio a prédios, parques e percursos de carros voadores. “Será positiva. Esse é meu DNA. Tem de ser para cima”, explica Trevi. •
Farol Santander
R. João Brícola, 24, centro. Telefone: (11) 3553-5627. De 3ª a domingo, 9h/20h. Fecha às segundas.
R$ 40 (único)



