Charles Hoskinson, cofundador das criptomoedas Ethereum e Cardano, está de olho na Argentina como um futuro centro tecnológico para a América Latina. Em visita recente ao Cardano Summit em Buenos Aires, ele expôs sua visão: a transformação política no país abre um terreno fértil para o desenvolvimento da tecnologia blockchain, com potencial de atrair bilhões de dólares em investimentos e criar milhares de empregos. Hoskinson se encontrou com o presidente Javier Milei e discutiu a adoção da blockchain para fortalecer a economia e modernizar os serviços públicos por meio de uma parceria entre o governo e o setor privado.

Hoskinson vê a postura de Milei como uma aposta corajosa no livre mercado, o que o diferencia dos vizinhos da América do Sul e torna a Argentina atraente para investimentos em tecnologia e inovação. Em paralelo, ele se reuniu com Jorge Macri, prefeito de Buenos Aires, e anunciou planos para contratar talentos argentinos do setor tecnológico. Com isso, Hoskinson e sua empresa, Input Output, esperam contribuir para a criação de uma "Argentina Digital 2030", onde tecnologias como blockchain, inteligência artificial e Internet das Coisas estarão integradas ao dia a dia dos argentinos.
A Argentina já possui um dos maiores índices de adesão popular às criptomoedas na América Latina, com cerca de US$ 100 bilhões em criptoativos, ou aproximadamente um sétimo do PIB. Esse dado reflete a forte adesão da população ao dólar digital como uma proteção contra a inflação, algo que Hoskinson vê como uma oportunidade para implementar uma rede blockchain robusta e estruturada. Em parceria com empresas argentinas, como a Globant, que possui 30 mil desenvolvedores, ele pretende aproveitar a mão de obra local e tornar o país um hub tecnológico para países vizinhos, como Paraguai, Colômbia e Peru.
Para Hoskinson, a mentalidade de sacrifício em nome de ganhos a longo prazo defendida por Milei é exatamente o que investidores buscam. Em sua visão, o país pode se tornar uma porta de entrada para investimentos na América Latina, oferecendo estabilidade e liberdade econômica. Inspirado em países que passaram por transformações profundas, como o Japão após a Segunda Guerra Mundial, Hoskinson acredita que, ao tomar as decisões certas, a Argentina poderá, nas próximas duas décadas, se posicionar entre as principais economias globais e como um ponto estratégico no cenário de tecnologia e inovação mundial.



