Dos 55 vereadores que compõem a Câmara Municipal de São Paulo, 51 tentaram a reeleição no último dia 6, mas apenas 35 conseguiram manter suas cadeiras. Embora a frustração seja evidente entre os que ficaram de fora, muitos expressam um sentimento de gratidão e orgulho pelos anos dedicados à política, apesar do revés. Para alguns, a derrota significa a passagem de bastão para uma nova geração, enquanto outros ainda mantêm a esperança de que uma vaga possa surgir caso algum eleito assuma outras funções.
Nomes conhecidos como Adilson Amadeu (União Brasil), Arselino Tatto (PT) e Paulo Frange (MDB), agora na lista dos 491 suplentes, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, pretendem continuar contribuindo com seus partidos até o fim de seus mandatos. Alguns enxergam novas oportunidades em suas profissões paralelas, enquanto outros ainda aguardam o desenrolar dos próximos passos.
Adilson Amadeu, Arselino Tatto, Paulo Frange e Coronel Salles: caminhos a seguir após a não reeleição
Adilson Amadeu, que já foi vereador por cinco mandatos, não descarta a possibilidade de retornar à Câmara Municipal. Ele foi o primeiro suplente do seu partido, recebendo 24.759 votos. Sua volta ao Legislativo depende da convocação de outro vereador para um cargo no Executivo, o que poderia abrir uma vaga para ele. Amadeu destaca suas contribuições em iniciativas voltadas ao tratamento do diabetes, cuidado com idosos, melhorias em bairros e apoio a taxistas, além de sua atuação em diversas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), muitas vezes ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Entretanto, ele expressa preocupação com a influência das mídias digitais nas eleições. Para Amadeu, os eleitores estão cada vez mais guiados pela imagem projetada pelos candidatos, sem conhecer as reais realizações dos políticos. Ele observa que muitos dos novos vereadores terão um longo aprendizado pela frente e que essa transição pode atrasar a adaptação do Parlamento, já que figuras que fizeram importantes contribuições à cidade não conseguiram ser reeleitas.
Arselino Tatto (PT), um veterano com 68 anos e membro da Câmara desde 1988, também não garantiu a reeleição, mas entrou na lista de suplentes com 29.105 votos. Tatto acredita que é cedo para pensar em 2025, mas reafirma seu compromisso com o Partido dos Trabalhadores. "Sou um animal político, independentemente de eleições. Estou envolvido na política desde os 15 anos e continuarei atuando, seja como candidato ou não", afirma. Ele se sente satisfeito com o resultado, lembrando que concorreu ao cargo dez vezes e apenas nesta não foi eleito. Atualmente, Tatto está focado na candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) para a prefeitura.
Por sua vez, Paulo Frange, que acumula sete mandatos e 48 anos de experiência na cardiologia, não pretende abandonar sua carreira médica nem a vida pública. Com 35.338 votos, ele agora ocupa a posição de suplente na Câmara. "Encontrei satisfação e realização em ambos os trabalhos e acredito que posso contribuir ainda mais. A vida pública é a forma como posso me dedicar à população e contribuir para a cidadania. Quero ajudar o futuro prefeito, que será reeleito, Ricardo Nunes", diz Frange. Ele expressa preocupação com os desafios na área da saúde, afirmando que, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito.
Coronel Salles (MDB), ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo (2018-2020), também não conseguiu a reeleição. Agora, ele planeja retornar à docência em cursos de formação de oficiais e militares. Com 15.682 votos, Salles também pretende retomar suas palestras sobre gestão e segurança pública, temas em que possui doutorado.
A suplência é uma alternativa para candidatos que não obtêm votos suficientes para a eleição, permitindo que ocupem uma vaga temporariamente se um vereador se ausentar por motivos de saúde ou pessoais. Um suplente pode se tornar vereador de forma permanente caso um titular falte, renuncie ou seja cassado, dependendo da ordem de suplência estabelecida.



