đ§ OpiniĂŁo 360Âș â O mesmo filme, o mesmo silĂȘncio
Por MĂĄrio Marcovicchio â Editorial Investigativo / Jornal25News

NĂŁo Ă© de hoje que o Rio de Janeiro vive sob o domĂnio de uma força paralela. O crime, que hĂĄ dĂ©cadas deixou de ser apenas uma organização criminosa para se tornar uma verdadeira guerrilha urbana, hoje dita as regras em territĂłrios inteiros â e o Estado, acuado, assiste.
As cenas da chamada Operação Contenção, que resultou em mais de uma centena de mortos, nĂŁo surgiram do nada. SĂŁo o retrato ampliado de uma tragĂ©dia que vem sendo escrita hĂĄ anos, capĂtulo por capĂtulo, com os mesmos personagens: o trĂĄfico armado, o governo impotente e a indiferença de BrasĂlia.
O poder pĂșblico, preso entre a burocracia e a omissĂŁo, tornou-se refĂ©m de seu prĂłprio medo. Governos estaduais dizem ter as mĂŁos atadas, enquanto o Poder Central em BrasĂlia finge que nĂŁo vĂȘ â ou vĂȘ, mas prefere nĂŁo agir. O discurso polĂtico Ă© o mesmo: reuniĂ”es, notas oficiais, planos de segurança. Mas a realidade nas favelas Ă© outra: quem manda sĂŁo as facçÔes.
O que se vĂȘ Ă© a institucionalização da guerra urbana. O trĂĄfico se transformou em exĂ©rcito. O Estado, em refĂ©m. E a população, em alvo. A tragĂ©dia do Rio Ă© o retrato do Brasil â um paĂs onde o crime se profissionalizou e o poder pĂșblico se acostumou a perder.
Não é a primeira vez que o caos se impÔe. Jå vimos esse filme. A diferença é que agora o roteiro é mais violento, os atores mais bem armados e a plateia, mais apåtica. O crime cresceu, se espalhou e hoje exporta seus tentåculos para outros estados, criando uma rede de poder paralelo que desafia a própria soberania nacional.
E nĂłs, cidadĂŁos, o que fazemos?
Reclamamos, comentamos, lamentamos â mas continuamos omissos. Cada brasileiro que se cala, que se abstĂ©m, que ignora, Ă© cĂșmplice desse ciclo de barbĂĄrie.
Enquanto o poder pĂșblico hesita e as instituiçÔes se perdem em discursos, o territĂłrio Ă© tomado, a vida Ă© banalizada e o medo se torna rotina.
Até quando vamos assistir ao mesmo filme?
AtĂ© quando aceitaremos a violĂȘncia como parte da paisagem?
O momento exige mais do que indignação â exige ação, responsabilidade e coragem cĂvica.
Porque a omissĂŁo tambĂ©m mata. E mata devagar, no silĂȘncio de quem jĂĄ se acostumou a perder o paĂs para o crime.
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