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A rua 25 de Março completa 159 anos de comércio

A rua 25 de Março completa 159 anos de comércio

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159 anos da 25 8 páginas)

A RUA 25 DE MARÇO COMEÇOU NUMA REGIÃO DE PORTO

A  Rua 25 de Março começou numa região de porto, por isso o nome de uma de suas travessas, a Ladeira Porto Geral, de onde partiam mercadorias diversas através dos Rios Tamanduateí e Anhangabaú.

A origem dessa rua remonta ao século XVIII, quando então  era chamada de Beco das Sete Voltas.

Naquela época, ela acompanhava, mais ou menos, as margens sinuosas do Rio Tamanduateí, daí as sete voltas ou sete curvas do rio.

Posteriormente, já no século XIX, o beco recebeu a denominação popular de Rua de Baixo, justamente pela sua localização, na parte baixa da cidade em relação à colina do Pátio do Colégio.

No dia 28 de novembro de 1865, por proposta do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra, a Rua de Baixo passou a chamar-se Rua 25 de Março, em homenagem à primeira Constituição do Brasil, promulgada por Dom Pedro I, em 25 de março de 1824. Somente em 28 de abril de 1916 é que passou a chamar, oficialmente, Rua 25 de Março.

A primeira grande enchente registrada na história da região ocorreu em 1.° de janeiro de 1850.

Um temporal de seis horas alagou as casas às margens dos Rios Tamanduateí e Anhangabaú sendo que, das 27 casas destruídas, 14 eram de taipas.

As consequências das águas foram tão assustadoras que a cidade de Santos ajudou financeiramente a capital de São Paulo na recuperação dos estragos ocasionados.

Depois da grande enchente, houve a mudança da rota do rio. Mais tarde, houve a canalização, concluída em 1914.

  Mas, até hoje, a região ainda é vítima das enchentes.

 

A VOCAÇÃO PELO COMÉRCIO  DA RUA 25 DE MARÇO, COMEÇOU EM 1890

A característica comercial da Rua começou a partir de 1890, com a chegada dos imigrantes sírios, armênios, turcos e libaneses, que trabalhavam como mascates e    formaram o comércio de atacado e varejo de armarinhos, tecidos, confecções e tapetes.

Arinos de Almeida Barros, 78 anos, proprietário da loja Comércio de Tecidos Moraes Machado, fundada desde 1868, é vice-presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos, Vestuário e Armarinhos do Estado de São Paulo. Como comerciante na 25 de Março, tem mais de cinquenta anos e muita história para contar.

Vivenciou o tempo em que a Rua era dominada por libaneses, sírios, armênios, gregos e portugueses.

“Nesta época o comércio já era forte, trabalhávamos muito, mas havia sempre um tempo para uma conversinha e um café. As pessoas tinham mais tempo, todo mundo se conhecia.

Depois dos anos 90 a cara da 25 se modificou, começaram aparecer os chineses e coreanos. Recentemente chegaram os bolivianos, chilenos, paraguaios , peruanos e haitianos.

Os velhos comerciantes da 25 acabaram se afastando, vendendo ou alugando seus imóveis para os orientais.

Os sotaques árabes deram espaço para o mandarim, e agora o portunhol. Mas nessa torre de babel que é a rua 25 de Março existe muito calor humano e todas as raças se dão bem. Eu nesse tempo todo que estou aqui nunca presenciei qualquer tipo de racisco ou preconceito com quaquer estrangeiro. Todo mundo fica aqui é preocupado em vender suas mercadorias, por isso é um clima de festa todos os dias, declarou, Arinos de Almeida Barros.

 

 

OS ARMÊNIOS NA 25 DE MARÇO

 


Meu pai, Stepan Pilavjian, veio da Armênia ainda garoto, com aproxima-damente 15 anos de idade, mas as circustâncias pelas quais ele veio ao Brasil foram traumáticas.

Meu avô era uma pessoa muito forte e se chamava Diran. Em sua cidade, um armênio havia matado um turco, e como meu avô tinha as características físicas semelhantes às do possível autor do crime e também o mesmo nome , os turcos que comandavam a cidade, foram até sua casa, o prenderam e depois o enforcaram, sem sequer ter-lhe dado a chance de provar sua inocência. Isto sem dúvida marcou muito a vida do meu pai, que encontrou um motivo para abando-nar aquela sagrada terra. E assim, ele veio para o Brasil.

Graças a Deus, meu pai era muito comunicativo , extrovertido, todas as pessoas gostavam muito dele, e isso contribuiu para que ele formasse uma grande clientela.

Nesse ínterim ele alugou uma casa na Rua Santo André, atual Abdo Chaim, casou-se com minha mãe, filha de armênios, nascida em Aleppo, na Turquia.

Meu pai nasceu em Marach, cidade da Turquia. A maioria do povo da colônia Armênia radicada no Brasil veio desta cidade. Eu e meu irmão nascemos aqui na cidade de São Paulo.

    Com o passar do tempo, meu pai montou uma loja de calçados no nº 45 da antiga rua pajé. Após alguns anos e depois de muito trabalho, as coisas foram melhorando, e em1955, meu pai começou a adquirir alguns imóveis na REGIÃO.

A maioria dos lojistas aqui na Rua eram descendentes de armênios, e todos do mesmo ramo: co-mércio calçadista. Hoje, o cenário é diferente, o comércio se diversificou.

Na época, meu pai sempre ocu-ou uma vanguarda na sociedade, se tornou uma pessoa muito querida e bem relacionada, chegando a ocupar o cargo de presidente da Igreja Armênia.

Eu e meu irmão, desde os 15 anos já trabalhávamos com meu pai na lojinha à tarde, pois pela manhã, frequentávamos a escola, porque para meu genitor, estudar era muito importante. Tanto eu como meu irmão somos formados em Direi-to: eu, pelo Largo São Francisco e meu irmão, pelo Mackenzie.

Nos anos 70, tudo era muito calmo, você andava pela rua sem nenhuma preocupação, não exis-tiam barracas nas calçadas e todos se conheciam.

Não tinha ninguém da raça oriental, só árabes, libaneses e armênios. Havia um congraça-mento muito grande entre as colô-nias, que se davam muito bem.

Hoje, você não encontra mais armênios no ramo calçadista, tudo mudou. A maioria deles, isto é dos seus filhos, são empresários de grandes construtoras, imobiliárias, bancos, etc.

 

Felicidades 25 de Março!

 

Dr. Garabed D. Pilavjian

 

SINDICATO DO COMÈRCIO ATACADISTA DE TECIDOS,VESTIÁRIOS E ARMARINHOS DO ESTADO DE SÃO PAULO, JUNTO COM OS COMERCIANTES DA 25 DE MARÇO DESDE 1941

 


O Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos,vestiários e armarinhos do Estado de SP, entidade criada no ano de 1941 por iniciativa dos atacadistas de tecidos e congêneres, na época majoritariamente representados pela colônia portuguesa, povo tradicional e dominante do comércio da época a qual imperava a indústria de tecidos no Brasil.

 

Até aproximadamente a década de 1970, os maiores atacadistas estavam estabelecidos no centro “velho”, compreendido entra a Rua Florêncio de Abreu, Praça da Sé, Quintino Bocaiuva, Senador Feijó, Rua São Bento e Rua José Bonifácio.

Vencida a década de 1970, a Rua 25 de Março passou a ter o comercio mais pujante no ramo de atacado de tecidos, tanto é assim que, a partir do ano de 1980 a maioria da diretoria era composta por membros da sociedade árabe.

Sem dúvidas, tal fato levou o Sinditecidos em 1985 a trocar sua sede da Praça Ramos de Azevedo, pela Rua Paula Souza, n.º 79 com o intuito de ficar mais próximo dos seus associados e diretores.

Como a sociedade e os negócios não são estáticos, a partir do novo século o dinamismo da cidade e de seus habitantes deram lugar a um novo tipo de negócios na região, agora dominado pela colônia chinesa.

É importante registrar que os imigrantes são os maiores responsáveis pela história de sucesso da cidade de São Paulo e muito contribuíram para a criação desta metrópole.

O Sinditecidos, a partir de 2019 transferiu sua sede para a Avenida Angélica n.º 688 – 13º andar, local em que ainda mantem laços estreitos com todos os comerciantes da Rua 25 de Março e dessa forma aproveita o ensejo para desejar aos heróis do comercio que mantenham sempre o foco positivo e a esperança de dias melhores e abundantes, pois, é na adversidade que se conquistam as grandes vitorias.
Parabéns, sucesso e vitória aos comerciantes da Rua 25 de Março e adjacências pelo dinamismo e empreendorismo.

Parabéns pelos 159 anos de sucesso.

Dr. Luis Roberto Rando ( Presidente)

 

 OS CHINESES NA REGIÃO DA 25 DE MARÇO

  

Estou na região da 25 de Março  desde 1973.

Acompanhei a transformação do seu comércio durante estes últimos 50 anos.

O comércio na epóca de 70,80 e 90, era basicamente  de armarinhos,tecidos,decoração e bijuterias.

Historicamente o Brasil em 1985 vivenciou no campo politico uma ruptura, passando do regime militar para democracia:Diretas Já; a eleição direta de um civil, Tancredo Neves( mas que morreu antes de assumir), ficando em seu lugar José Sarnei

No campo econômico o Brasil atravessava uma hiperinflação. Havia escasses de alimentos. A importação era proibida e as pessoas iam até o paraguai buscar mercadorias importadas para vender. Os carros eram consideradas carroças velhas e o Brasil estava na contramão do mundo.

Eleição de Fernando Color de Mello, o primeiro presidente eleito pelo povo desde 1960. Dois fatos que marcaram seu governo: O Brasil abre os portos para o Mundo, permitindo as importações  e o confisco da poupança.

Com a aberturas das importações o primeiro impacto é sentido em toda região da 25 com o falimento das empresas atacadistas de tecidos que ao lado das lojas de armarinhos  e roupas tomavam conta de todo o comércio.

O império atacadista dos tecidos vai a bancarrota e assim, todos que viviam diretamente ou indiretamente quebram.Resultado:dezenas e centenas de desempregados e um numero igual de negócios fechados, lojas e prédios inteiros para alugar ou vender.

Na decada de 60 até os meados de 80 tinha só uma centena de  orientais na rua 25 e em todo centro de SP.

Mais foi a partir dos anos 90 que os chineses desembarcaram em um grande número em SP. Na bagagem trouxeram a experiência do comércio popular  com as galerias de box, transformando as grandes lojas da 25 e região em em “mini- shopping”.

Para os proprietários de imóveis da 25 (basicamente libaneses, armênios e portugueses, foi um grande negócio. Seus rendimentos subiram mais de 200%.

No ano de 1994 é inaugurado o maior shopping popular de compras de São Paulo, o Shopping 25, de propriedade de chineses. O prédio já havia abrigado o antigo Palace Hotel e foi inaugurado em 1920, tendo como arquiteto responsável o famoso Ramos de Azevedo.

No período de 2005 e 2012,  a colônia chinesa creceu em uma velocidade inacreditável na região do centro e da 25 de março, enquanto os tradicionais árabes que comandavam a rua foram se afastando, vendendo ou alugando seus imóveis.

Em reportagem do jornal o Globo do ano de 2015, cuja manchete era “Àrabes perdem espaço para chineses na Rua 25 de Março”, falava que apenas 40%  das lojas da 25 de antigamente eram administradas pelo imigrantes que fundaram o local de comércio popular.

Sem dúvidas nenhuma a Rua 25 de Março e região, concentra hoje a maior colônia de chineses em todo o Brasil. Povo ordeiro, trabalhador e pacífico é assim que são conhecidos pelos seus irmãos  brasileiros.

 

Mário Marcovicchio, jornalista e Advogado

 

 

O REI DA CUTELARIA

O início dos anos 50, o Libanês Edmond Habib Ghattas desembarcou no Brasil e, como tantos outros imigrantes, tinha como único objetivo “Fazer a América”. Assim começou a sua trajetória como comerciante no Brasil com uma pequena loja situada à rua Carlos de Souza Nazareth, travessa da tradicional 25 de Março, no centro de São Paulo.

Em 1963 criou o Rei da Cutelaria®, marca que se perpetua ao longo de meio século com reconhecida excelência. Sua experiência e tradição no mercado atacadista permite oferecer produtos de grandes marcas para diversos segmentos.

 

FAMÍLIA ANSARAH

 

O ano  é de 1932. Em São Paulo 0 clima político é de  de guerra. Nas ruas estava acontecendo  a Revolução Constitucionalista.

Bem tendo este pano de fundo, cenário histórico, na Rua Vinte e Cinco de Março, foi fundado por imigrantes libaneses, Jorge Ansarah  e Edgard Ansarah,  o Depósito de Meias Ansarah, loja atualmente comandada pela terceira geração da família, tendo à frente, Eduardo Ansarah e a sua irmã Alessandra.

“Nossa história, começou com meu tio-avô, que era balconista de uma loja de tecidos e percebendo que havia um nicho a ser explorado com a comercialização de meias não perdeu tempo e alugou uma pequena sala.

O negócio deu certo e prosperou”, estando os negócios já na terceira geração”, ponderou  Eduardo.

 

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