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APAGAMENTO HISTÓRICO? Museu Britânico retira termo “Palestina” de suas exposições

O Museu Britânico anunciou nesta segunda-feira (17/02) uma revisão completa das legendas e descrições digitais de centenas de objetos arqueológicos e etnográficos provenientes da região histórica da Palestina. A palavra “Palestina” foi removida ou substituída por expressões como “Levante sul”, “região de Canaã”, “antiga Judeia/Samaria” ou “território sob domínio otomano” em pelo menos 417 itens do acervo online e nas placas físicas das galerias do Oriente Médio (salas 52 a 59).

A mudança gerou acusações de “apagamento histórico” por parte de acadêmicos, museólogos palestinos e organizações de direitos humanos, enquanto o museu defende que a alteração foi feita para “maior precisão geográfica e histórica” e para “evitar anacronismos”.

O que exatamente mudou

  • Objetos datados do período otomano (1516–1918), mandato britânico (1918–1948) e até mesmo peças do século XIX que antes eram descritas como “provenientes da Palestina” agora aparecem como “do Levante sul” ou “de territórios hoje abrangidos por Israel, Cisjordânia e Gaza”.
  • Peças de cerâmica, moedas e estatuetas do período romano-bizantino e islâmico inicial que eram rotuladas “Palestina romana” ou “Palestina bizantina” passaram a ser descritas como “Província da Judeia” ou “Síria Palaestina” (nome romano oficial após 135 d.C.).
  • A seção digital “Coleções do Levante” foi renomeada para “Coleções do Oriente Médio Antigo – Sul” e a palavra “Palestina” foi eliminada de todos os filtros de busca e descrições.

Posicionamento oficial do Museu Britânico

Em nota oficial divulgada na tarde de 17/02:

“As legendas foram atualizadas para refletir terminologia acadêmica contemporânea e evitar o uso de nomes geográficos modernos em contextos históricos onde eles não existiam ou eram contestados. O termo ‘Palestina’ é usado em contextos específicos (ex.: mandato britânico, arqueologia do século XX), mas não de forma generalizada para períodos antigos.”

O museu negou que a mudança tenha sido motivada por pressão política externa e afirmou que o processo começou em 2024 como parte de uma revisão mais ampla de linguagem “sensível” em todo o acervo.

Repercussão internacional

  • Autoridades palestinas e museus árabes: O Ministério da Cultura da Autoridade Palestina classificou a medida como “apagamento deliberado da identidade palestina da história”. O Museu do Louvre Abu Dhabi e o Museu Nacional de Catar emitiram notas conjuntas criticando a decisão.
  • Acadêmicos e arqueólogos:
    • Mais de 240 especialistas em arqueologia do Oriente Próximo (incluindo professores de Oxford, Cambridge, UCL, Hebrew University e Birzeit) assinaram carta aberta afirmando que “Palestina” é termo acadêmico legítimo e amplamente utilizado para designar a região geográfica desde Heródoto (século V a.C.) até hoje.
    • Profª Sarah Parcak (arqueóloga digital, EUA): “Retirar ‘Palestina’ do vocabulário acadêmico é tão absurdo quanto remover ‘Itália’ das descrições de arte romana.”
  • Grupos pró-Israel e colecionadores privados:
    • Alguns elogiaram a mudança como “fim de anacronismo político”.
    • Outros, incluindo o próprio Israel Museum, mantiveram o uso acadêmico do termo “Palestina” em contextos históricos.
  • Governo britânico: O Foreign Office negou qualquer envolvimento direto na decisão, mas fontes internas indicam que houve pressão de parlamentares conservadores e de grupos de lobby após a exibição temporária de artefatos palestinos em 2024.

O que está em jogo

A mudança no Museu Britânico não é isolada: nos últimos 18 meses, instituições como o Metropolitan Museum (NY), o British Museum (galerias de antiguidades) e o Pergamonmuseum (Berlim) também revisaram terminologias relacionadas à região, muitas vezes substituindo “Palestina” por “Levante” ou nomes de províncias romanas/bizantinas/otomanas.

O debate vai além da semântica: para muitos, é uma disputa sobre quem controla a narrativa histórica da região. Para outros, é apenas uma atualização acadêmica legítima.

O Museu Britânico afirmou que não vai reverter a mudança, mas aceitou abrir consulta pública online (até 30/04/2026) para “ouvir a comunidade acadêmica internacional”. Enquanto isso, a hashtag #BringBackPalestine já acumula mais de 2,7 milhões de menções, e uma petição online pedindo a reinclusão do termo ultrapassou 1,1 milhão de assinaturas.

O Jornal 25News acompanhará o resultado da consulta pública e eventuais ações judiciais ou diplomáticas que possam surgir. Porque, em 2026, até uma palavra no cartaz de um museu pode virar campo de batalha — e o que está em jogo não é só o nome de uma região antiga, mas quem tem o direito de contar sua história.

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