Brás/Pari Urgente : Policiais que extorquiam comerciantes foram denunciados pelo Ministério Público
As investigações começaram em março de 2024, após quatro vítimas denunciarem as extorsões.
24.01.25



A Corregedoria da Polícia Militar concluiu a investigação sobre um grupo de policiais militares suspeitos de formar uma milícia para extorquir comerciantes autônomos no Brás, Centro de São Paulo. A operação conjunta das Corregedorias da PM e da Polícia Civil, junto com o Ministério Público, resultou na prisão de nove pessoas, incluindo cinco policiais militares, no dia 16 de dezembro de 2024.**
Dos cinco policiais presos, quatro foram denunciados e tornaram-se réus em ação penal no Tribunal de Justiça Militar. Eles são acusados de crimes de roubo, extorsão e formação de milícia. O quinto policial preso na operação não foi denunciado e não se tornou réu.
As investigações começaram em março de 2024, após quatro vítimas denunciarem as extorsões. Segundo a investigação, a milícia extorquia dinheiro de comerciantes autônomos há mais de um ano. As principais vítimas eram imigrantes, que eram obrigados a pagar de R$ 200 a R$ 300 por semana, além de um valor anual chamado de “luva”, que chegava a R$ 15 mil.
Além disso, a investigação revelou que os próprios agiotas contratados pelo grupo usavam os serviços dos policiais militares para cobrar de forma violenta os inadimplentes. A denúncia também menciona a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema.
O coronel da PM, Fabio Sérgio do Amaral, corregedor da Polícia Militar, afirmou que a exploração de pessoas humildes por meio de extorsão, violência e abusos envolvendo policiais militares foi uma ação muito triste.
**Linha do tempo:**
- **Operação Conjunta:** A operação foi realizada em conjunto pelas Corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil, junto com o Ministério Público.
- **Prisões:** Foram presas nove pessoas, incluindo cinco policiais militares, durante a operação no dia 16 de dezembro de 2024.
- **Dinheiro Encontrado:** Durante a operação, agentes encontraram R$ 145 mil na casa de um dos investigados.
- **Acusações:** Os quatro policiais denunciados enfrentam acusações de roubo, extorsão e formação de milícia no Tribunal de Justiça Militar.
- **Vítimas:** As principais vítimas eram comerciantes autônomos, muitos deles imigrantes, que eram obrigados a pagar de R$ 200 a R$ 300 por semana, além de um valor anual chamado de “luva”, que chegava a R$ 15 mil.
- **Métodos de Extorsão:** Os investigadores apuraram que quem não conseguia juntar o dinheiro era obrigado a pegar emprestado com um agiota, que fazia parte do esquema e cobrava juros de 20% ao ano. Se o pagamento atrasasse, eram os policiais militares que cobravam de forma violenta.
- **Intimidação:** Um dos policiais usava a motocicleta, a farda e a arma da PM para intimidar as vítimas.
**Denúncia:**
A denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foi apresentada em dezembro de 2024 e acusa 16 pessoas, incluindo policiais militares e civis, de formação de milícia privada, prática de extorsão e lavagem de dinheiro. A operação, chamada de Operação Aurora, foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar e a Corregedoria da Polícia Civil.
A denúncia detalha como o grupo extorquia comerciantes autônomos na região do Brás, exigindo pagamentos periódicos para permitir que eles vendessem seus produtos. Os comerciantes, muitos deles imigrantes, eram obrigados a pagar de R$ 200 a R$ 300 por semana, além de um valor anual chamado de “luva”, que chegava a R$ 15 mil.
Os policiais envolvidos na operação contra a milícia no Brás são:
- **Sargento Daniel- Trabalhava na 2ª Companhia de Policiamento de Choque (2ª Cia de Choque).
- **Cabo João- Atuava na 3ª Companhia de Policiamento de Choque (3ª Cia de Choque).
- **Soldado Carlos- Pertencia à 1ª Companhia de Policiamento de Choque (1ª Cia de Choque).
- **Soldado Marcos- Também da 1ª Companhia de Policiamento de Choque (1ª Cia de Choque).
Esses policiais foram presos durante a operação conjunta das Corregedorias da PM e da Polícia Civil, junto com o Ministério Público, no dia 16 de dezembro de 2024.
Depoimentos das testemunhas:
Os depoimentos das testemunhas na investigação sobre a milícia no Brás foram fundamentais para a montagem do caso. As testemunhas confirmaram que os policiais envolvidos usavam sua posição e recursos da PM para intimidar e extorquir os comerciantes autônomos. Eles relataram que os policiais frequentemente se apresentavam em motocicletas, usando suas fardas e armas, para coletar o "piso" semanal e a "luva" anual.
Além disso, algumas testemunhas mencionaram que os policiais também recrutavam agiotas para cobrar de forma violenta aqueles que não conseguiam pagar o valor exigido. Esses depoimentos ajudaram a corregedoria a entender a extensão do esquema e a identificar os principais envolvidos.
O responsável pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo é o Coronel Fabio Sérgio do Amaral. Ele liderou a investigação sobre a milícia no Brás e foi o responsável por coordenar as ações conjuntas com a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público.
O juiz encarregado do processo contra os policiais envolvidos na milícia no Brás é o Juiz Militar José Carlos da Silva. Ele está responsável por conduzir o julgamento no Tribunal de Justiça Militar de São Paulo.

