Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e da Universidade de São Paulo (USP) publicaram na revista Chemical Engineering Journal um estudo que demonstra a eficácia da irradiação por feixe de elétrons na destruição completa de resíduos de fluoxetina (Prozac) e outros antidepressivos da classe dos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina) em águas contaminadas.
O trabalho, coordenado pela pesquisadora Sueli Ivone Borrely (Ipen) em parceria com o grupo de química ambiental da Poli-USP, mostra que doses de radiação entre 5 e 15 kGy (quilograys) degradam mais de 99% da molécula de fluoxetina em água real (coletada de estações de tratamento de esgoto e rios urbanos), transformando-a em subprodutos muito menos tóxicos ou completamente mineralizados (CO₂, água e sais inorgânicos).
Por que isso é relevante

- Contaminação crescente: Antidepressivos como fluoxetina, sertralina, citalopram e venlafaxina são detectados em concentrações de ng/L a µg/L em rios, represas e águas subterrâneas de todo o mundo, inclusive no Brasil (Tietê, Pinheiros, Billings, Guarapiranga, Paraíba do Sul). Esses compostos causam alterações comportamentais e reprodutivas em peixes e crustáceos (redução de agressividade, atraso na maturação sexual, menor sucesso reprodutivo), desequilibrando ecossistemas aquáticos.
- Limitações dos métodos atuais: Tratamento convencional (lodos ativados) remove apenas 10–60% dos ISRS. Tecnologias avançadas como ozônio, UV + peróxido ou nanofiltração são caras e geram subprodutos tóxicos ou demandam muita energia.
- Vantagens da irradiação por feixe de elétrons: – Degradação rápida e não-seletiva (ataca ligações químicas de forma indiscriminada). – Não gera lodo tóxico nem subprodutos persistentes em doses adequadas. – Pode ser acoplada a estações de tratamento existentes (o feixe é aplicado no efluente final). – Consumo energético competitivo com ozônio/UV em escala industrial.
Resultados mais importantes do estudo

- Dose de 10 kGy → remoção >99% de fluoxetina em água real de esgoto (com matéria orgânica e outros contaminantes).
- Testes ecotoxicológicos (com Daphnia magna e peixes-zebra) mostraram que o efluente irradiado perde quase toda a toxicidade reprodutiva e comportamental observada no efluente bruto.
- Subprodutos identificados (LC-MS/MS): principalmente ácidos orgânicos simples e compostos nitrogenados de baixa toxicidade → mineralização parcial (até 60–70% do carbono orgânico convertido em CO₂).
Perspectivas para o Brasil
- O Ipen já opera uma unidade piloto de irradiação por elétrons em São Paulo (capacidade de 5–10 m³/h) e planeja escalonamento para estações de tratamento da Sabesp (Tietê e ABC).
- Custo estimado por m³ tratado: R$ 1,20–2,50 (competitivo com ozônio avançado).
- Discussão no Ministério do Meio Ambiente e na ANA (Agência Nacional de Águas) para incluir irradiação como BAT (melhor técnica disponível) em novas normas de lançamento de efluentes.
Desfecho
A pesquisa da USP e Ipen reforça que a tecnologia nuclear (neste caso, feixe de elétrons acelerados) pode ser uma aliada poderosa no saneamento sustentável e na proteção da vida aquática. Enquanto antidepressivos continuam entrando nos rios por falta de tratamento específico, o Brasil testa uma solução limpa, rápida e que não gera novos poluentes.
O Jornal 25News acompanhará os testes em escala piloto na Sabesp e eventuais mudanças regulatórias. Porque, quando um antidepressivo que salva vidas humanas vira veneno silencioso para peixes e crustáceos, a solução não pode ser parar de medicar — tem que ser tratar melhor a água. E em 2026, a ciência brasileira mostra que a radiação controlada pode ser exatamente a ferramenta que faltava para isso.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
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