A Arábia Saudita, país que possui apenas 0,1% de água doce renovável por habitante (um dos menores índices do mundo), está avançando em um dos projetos de engenharia hídrica mais ambiciosos da história: a construção de um “rio subterrâneo” artificial de mais de 1.500 km que transportará água dessalinizada do Golfo Pérsico para o interior do deserto, abastecendo cidades, fazendas e indústrias sem depender exclusivamente de poços profundos ou importação de água engarrafada. O projeto, batizado de “Rota das Águas do Futuro” (Future Water Road) e oficialmente chamado NEOM Water Backbone, é parte do megaprojeto NEOM e da Visão 2030 do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
Como Funciona o “Rio Subterrâneo”

O sistema combina várias tecnologias de ponta:
- Dessalinização em escala massiva: 12 novas plantas de dessalinização por osmose reversa (já em construção ou operação) produzirão ~7,2 milhões de m³/dia até 2030 (equivalente ao consumo de ~25 milhões de pessoas).
- Túnel e tubulação subterrânea: Um corredor principal de tubos de aço e concreto reforçado (diâmetro de 3–4 metros) enterrado a 5–15 metros de profundidade, estendendo-se de Ras al-Khair (Golfo) até o interior de NEOM e outras cidades (Tabuk, Al-Ula, Medina).
- Bombas inteligentes e energia solar: Estações de bombeamento movidas a 100% energia solar e eólica, com armazenamento em baterias de grande escala. A água é impulsionada em etapas (estações de boost) para vencer a topografia.
- Monitoramento digital: Sensores IoT, IA e satélites monitoram vazamentos, qualidade da água e pressão em tempo real.
- Armazenamento subterrâneo: Grandes aquíferos artificiais (recarga controlada) para estocagem de longo prazo.
Custo estimado total do corredor hídrico: US$ 45–60 bilhões (parte do orçamento NEOM, que já ultrapassa US$ 500 bilhões).
Impacto Esperado

- Abastecimento seguro para ~10–12 milhões de pessoas até 2035 (incluindo NEOM, que planeja 9 milhões de habitantes).
- Irrigação para ~500 mil hectares de agricultura no deserto (cultivo de trigo, frutas, vegetais em estufas hidropônicas).
- Redução da dependência de poços profundos (que estão secando rapidamente no país).
- Exportação futura de água dessalinizada para países vizinhos (Jordânia, Iraque).
Repercussão e Críticas
A notícia explodiu em janeiro de 2026 após imagens aéreas e vídeos 3D divulgados pelo NEOM. Portais como Bloomberg, Reuters, BBC e Folha de S.Paulo destacaram o projeto como “o maior sistema de transporte de água subterrâneo já construído”.
Críticas principais:
- Consumo energético: Mesmo com energia solar, a dessalinização e bombeamento consomem eletricidade equivalente a várias cidades médias.
- Impacto ambiental: Rejeito salino (salmoura) devolvido ao Golfo Pérsico pode afetar ecossistemas marinhos.
- Viabilidade financeira: O custo por m³ de água dessalinizada transportada ainda é alto (~US$ 1,20–1,80/m³), muito acima do preço da água de aquíferos fósseis.
- Risco geopolítico: Dependência de uma única fonte (Golfo Pérsico) pode ser vulnerável em conflitos regionais.
- O primeiro trecho (Ras al-Khair → Tabuk, ~600 km) está em construção avançada (conclusão prevista para 2028).
- Duas novas plantas de dessalinização (Jubail 3A e 3B) já operam e abastecem o corredor.
- NEOM anunciou que a água do “rio subterrâneo” será 100% renovável (solar + eólica) até 2030.
- O projeto é considerado o maior esforço individual de um país para combater a escassez hídrica no mundo árido.
A Arábia Saudita, que importa 70% de sua comida e depende quase totalmente de dessalinização para água potável, está apostando tudo na engenharia para transformar o deserto em oásis sustentável. Se der certo, pode virar modelo global; se falhar, será uma das maiores bolhas de infraestrutura da história recente.
O Jornal 25News acompanha o avanço do “rio subterrâneo” que pode reescrever a geografia da sobrevivência no deserto — e mostrar se o dinheiro e a tecnologia conseguem vencer a aridez milenar.
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