Mário Marcovicchio-OLHAR 360º-
O GATILHO FOI ACIONADO Sapucaí, STF e reeleição: Lula assume risco político em meio à maior tensão institucional dos últimos anos.
A noite que pode redefinir os limites entre cultura, campanha e estabilidade institucional no Brasil
O bônus da popularidade compensa o ônus institucional?
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, Segunda-Feira, 16 de Fevereiro de 2026.
Por Mário Marcovicchio
Editorial 360 Graus

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia onde estava pisando.
A Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um enredo exaltando sua trajetória política. Não era surpresa. Não era improviso. Não era desconhecido.
Era previsível.
E exatamente por isso, a pergunta não é só jurídica. É estratégica.
O risco foi calculado?
O cálculo
Na política, quase nada é espontâneo quando envolve exposição pública nacional. Permanecer no camarote enquanto seu nome ecoava na avenida foi uma decisão. Descer à pista, cumprimentar, aparecer — tudo isso constrói narrativa e consolida imagem.
Sob a ótica jurídica defensiva, os argumentos são objetivos:
– Não houve pedido explícito de voto.
– Não houve discurso eleitoral.
– Não houve número de campanha.
– Não houve convocação para 2026.
A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral tem reiterado que, para caracterizar propaganda antecipada, é necessário elemento inequívoco de pedido de voto ou mensagem que induza claramente à candidatura futura. O Supremo Tribunal Federal, inclusive em decisões relatadas pelo ministro André Mendonça, tem reforçado a proteção constitucional à liberdade de expressão artística e cultural (art. 5º, IX, da Constituição), especialmente quando não há conteúdo eleitoral explícito.
Sob essa leitura, o desfile pode ser enquadrado como manifestação cultural protegida — ainda que politicamente sensível.
Mas do outro lado
A acusação poderia sustentar que a exaltação pública da trajetória política de um presidente em exercício, na sua presença, em ambiente televisionado nacionalmente, configura promoção pessoal com potencial reflexo eleitoral. Invoca-se aqui o artigo 36 da Lei nº 9.504/97, que veda propaganda antecipada, e o artigo 22 da Lei Complementar 64/90, que trata do abuso de poder político quando há utilização da estrutura institucional para benefício eleitoral.
O argumento crítico não se apoia no pedido de voto — apoia-se na ideia de vantagem indevida decorrente da exposição institucional. A tese seria a de que a simples visibilidade reforçada pode gerar desequilíbrio na futura disputa, especialmente quando envolve agente público no exercício do cargo.
É nesse ponto que o bicho vai pegar.
⚖ O Brasil dividido
O país está dividido. Não é retórica — é realidade social.
A polarização entre apoiadores e críticos do presidente já é estrutural. O Supremo Tribunal Federal está no centro do debate nacional. O clima é de tensão institucional permanente. Cada gesto presidencial deixa de ser apenas gesto — vira julgamento.
Num ambiente assim, qualquer centelha pode se transformar em incêndio narrativo.
Foi prudente acender mais um pavio?
O bônus
O bônus é evidente:
– Reforço de imagem popular.
– Consolidação de narrativa histórica.
– Aproximação com a cultura popular.
– Demonstração de apoio orgânico.
Para a base eleitoral, foi combustível emocional.
O ônus
Mas o ônus talvez seja mais silencioso e mais danoso.
Ao permanecer visível durante uma homenagem que exaltava sua trajetória política, o presidente ofereceu à oposição um discurso pronto. Alimentou a narrativa de campanha antecipada. Esticou mais uma vez a corda institucional.
Num país em que o Supremo Tribunal Federal já está no centro de questionamentos, cada movimento que possa exigir posicionamento da Justiça Eleitoral amplia a tensão.
E quando instituições já operam sob pressão constante, prudência vira ativo político.
Valeu a pena?
Essa é a pergunta central.
Se o cálculo foi apenas eleitoral, talvez o bônus compense no curto prazo.
Mas se o cálculo deveria ser institucional, talvez o ônus pese mais no médio e longo prazo.
Num ambiente de guerra política declarada — retórica, digital e institucional — líderes costumam escolher reduzir frentes de conflito.
Aqui, optou-se por ampliar uma.
Foi coragem?
Foi estratégia?
Ou foi excesso de confiança na blindagem jurídica? Talvez um grande erro?
Entre o palco e a responsabilidade
O Carnaval é palco.
A Presidência é responsabilidade permanente.
O Brasil vive momento de tensão elevada. Quando o ambiente já está inflamado, até uma faísca simbólica pode ganhar proporções inesperadas.
O desfile terminou.
Mas a pergunta permanece:
Valeu a pena arriscar mais tensão quando o país precisa de estabilidade?
Entre o bônus da aclamação e o ônus da divisão, o presidente escolheu permanecer no centro do espetáculo.
Agora resta saber se o espetáculo termina em aplausos — ou em novo capítulo de conflito institucional.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Digital
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