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O ARQUITETO DO INVISÍVEL: Chileno Smiljan Radic vence o Prêmio Pritzker 2026

O arquiteto chileno Smiljan Radic foi anunciado como vencedor do Prêmio Pritzker 2026, considerado o “Nobel da Arquitetura”. Aos 59 anos, Radic é o segundo chileno a receber a honraria (após Alejandro Aravena em 2016) e o primeiro a ser reconhecido por uma obra que privilegia a fragilidade, a transparência e o diálogo quase místico entre construção e paisagem natural.

Por que Smiljan Radic ganhou o Pritzker

O júri do Pritzker destacou:

  • “Uma arquitetura que não impõe, mas sussurra. Radic transforma materiais frágeis — vidro, tecido, pedra solta, madeira crua — em estruturas que parecem temporárias, mas resistem ao tempo e ao clima extremo do Chile.”
  • Sua capacidade de “fazer o invisível visível”: obras que desaparecem na paisagem ou revelam camadas ocultas do território (geologia, memória indígena, vestígios de terremotos).
  • O compromisso com a fragilidade como força: edifícios que aceitam imperfeição, movimento sísmico e passagem do tempo como parte da beleza, em vez de combatê-los.

Obras mais emblemáticas citadas pelo júri

  1. Serpiente de Piedra (Serpente de Pedra, 2014) – Instalação na Bienal de Arquitetura de Chicago: uma serpente de 40 metros feita de pedra solta e argila que serpenteia pelo terreno. Sem argamassa, sem fundação fixa — apenas gravidade e equilíbrio precário.
  2. Casa del Volcán (2015, Colchagua, Chile) – Residência privada que parece uma ruína pré-colombiana emergindo do solo vulcânico. Paredes de basalto irregular, telhado de vidro que deixa entrar a luz e o vento.
  3. Pabellón Serpiente (Serpentine Pavilion 2014, Londres) – Estrutura temporária de pedra e tecido translúcido que flutuava sobre o gramado do Hyde Park. A mais visitada da história do pavilhão (mais de 800 mil pessoas).
  4. Restaurante Mestizo (2018, Santiago) – Um pavilhão de vidro e aço corten que parece levitar sobre um jardim interno. A luz natural e o movimento das plantas criam a sensação de estar “dentro da natureza”.
  5. Capela do Silêncio (2023, Patagonia chilena) – Uma pequena capela de concreto bruto e vidro fosco encravada na rocha andina. Sem imagens religiosas — apenas o som do vento e da água como “presença divina”.

O que o prêmio significa para o Chile em 2026

  • O Chile agora tem dois Pritzker em uma década (Aravena 2016 e Radic 2026), reforçando o país como uma das maiores potências criativas per capita do mundo na arquitetura contemporânea.
  • Radic é o primeiro vencedor latino-americano que não vem de uma tradição modernista pesada (como Niemeyer ou Barragán), mas de uma sensibilidade mais poética e telúrica, ligada à paisagem andina, ao terremoto e à memória indígena.
  • Em um momento em que o Chile discute reconstrução pós-incêndios florestais e adaptação climática, o trabalho de Radic é visto como manifesto: a arquitetura deve abraçar a fragilidade do território, não combatê-la.

Declarações

  • Smiljan Radic (entrevista à BBC, 02/03): “A arquitetura não precisa ser eterna nem monumental. Às vezes o mais forte é o que se curva, o que deixa entrar o vento, o que aceita rachar. O Chile me ensinou isso: a terra treme, o mar sobe, o fogo chega — e a gente continua construindo.”
  • Júri do Pritzker (citação oficial): “Em um mundo obcecado por solidez e permanência, Radic nos lembra que a verdadeira força está na delicadeza, na transparência e na aceitação da impermanência.”

O Prêmio Pritzker para Smiljan Radic não consagra apenas um arquiteto — consagra uma visão de mundo: a de que o homem não domina a paisagem, mas dialoga com ela. Suas obras frágeis, quase invisíveis, que se dissolvem no horizonte ou deixam a natureza atravessá-las, falam de um Chile que aprendeu com terremotos, tsunamis e incêndios a construir de forma humilde e profunda.

Enquanto o mundo corre atrás de edifícios cada vez mais altos e duráveis, Radic mostra que a arquitetura mais poderosa pode ser aquela que quase não se vê — e que, no fundo, o maior monumento é o espaço que deixamos para o vento, para a luz e para o silêncio. Em 2026, o Chile ganha mais um motivo para se orgulhar: seu arquiteto do invisível agora é reconhecido como um dos maiores do mundo.

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