Polêmica em SP: Nomeação de ex-vereador condenado por antissemitismo causa revolta e pressão no governo Nunes
A comunidade judaica reagiu forte, o vice-prefeito se posicionou contra e a pressão aumenta nos bastidores para que o prefeito reverta o ato.

Ex-vereador Adilson Amadeu, condenado duas vezes por racismo contra judeus, foi nomeado assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Prefeitura de São Paulo. A comunidade judaica reagiu forte, o vice-prefeito se posicionou contra e a pressão aumenta nos bastidores para que o prefeito reverta o ato.
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, domingo, 02 de novembro de 2025.
Por Konstantinus – Jornal25News
⚖️ O caso que explodiu em São Paulo
A Prefeitura de São Paulo mal publicou a nomeação e o escândalo já estava nas redes.
O ex-vereador Adilson Amadeu (União), condenado duas vezes por antissemitismo, foi indicado para o cargo de assessor especial da Secretaria Municipal de Relações Institucionais.
A indicação veio do secretário Alexandre Leite, filho do ex-presidente da Câmara Milton Leite, e caiu como uma bomba dentro e fora da prefeitura.
O problema? As duas condenações judiciais de Amadeu por declarações racistas contra judeus.
✡️ Reação imediata
A comunidade judaica foi direta e dura.
As entidades Conib (Confederação Israelita do Brasil) e Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo) soltaram uma nota conjunta repudiando a nomeação:
“Amadeu foi duas vezes condenado pela Justiça por antissemitismo e injúria racial, por declarações ofensivas e discriminatórias contra a comunidade judaica. Não há espaço no serviço público para pessoas condenadas por crimes de ódio, preconceito e intolerância.”
A advogada Mônica Rosenberg, que é judia, também entrou com uma ação na Vara da Fazenda Pública pedindo que a Justiça suspenda a nomeação.
“Quando alguém condenado por racismo é nomeado para um cargo de confiança, o que se abala não é apenas a lei, mas a confiança da sociedade no poder público”, disse Mônica.
O passado de Amadeu
Em 2019, durante uma sessão na Câmara Municipal, Amadeu xingou o então vereador Daniel Annenberg de “judeu filho da p…” e “judeu b…”.
Já em 2020, em um áudio de WhatsApp, ele afirmou que “os judeus do Hospital Albert Einstein são uma sem-vergonhice grande”.
Ele foi condenado nas duas vezes em segunda instância, com penas convertidas em serviços comunitários e multas, mas a condenação continua valendo — o que, segundo especialistas, fere o princípio da moralidade pública.
⚡ A pressão nos bastidores
A nomeação gerou desconforto dentro da própria gestão Ricardo Nunes (MDB).
O vice-prefeito Mello Araújo (PL) foi um dos primeiros a se manifestar:
“Não concordo e espero que o prefeito, quando tomar conhecimento, tome providências. Não precisamos disso.”
Secretários e aliados próximos ao prefeito classificaram a situação como “constrangedora”.
Empresários da comunidade judaica e lideranças paulistanas também estariam pressionando pela exoneração imediata.
Mesmo sem ser o autor direto da nomeação, Ricardo Nunes já sente o desgaste político. Segundo apuração do O Globo, o prefeito pode rever o ato nos próximos dias.
️ A polêmica jurídica
A Prefeitura alegou que as penas prescreveram e, por isso, não haveria impedimento legal.
Mas, como lembram juristas, prescrição não apaga condenação — e muito menos seus efeitos morais e políticos.
A juíza Liliane Keyko Hioki, da 6ª Vara da Fazenda Pública, deu prazo para a Prefeitura e o Ministério Público se manifestarem antes de decidir sobre o pedido de liminar.
️ Voz das ruas
Nas redes sociais, o assunto viralizou.
Hashtags como #ForaAmadeu e #RespeitoJá subiram rapidamente entre os assuntos mais comentados.
Muitos internautas apontaram o caso como um “teste de coerência” para o prefeito Ricardo Nunes, que prometia uma gestão ética.
“É vergonhoso ver São Paulo nomear alguém condenado por racismo. Isso não é liberdade, é omissão”, escreveu uma usuária no X (antigo Twitter).
✍️ Nota do Editor
É inacreditável que, em pleno 2025, São Paulo ainda precise reagir a nomeações como essa.
Colocar em cargo público alguém duplamente condenado por antissemitismo é uma ofensa à memória histórica, à democracia e à própria decência política.
O que está em jogo não é apenas uma vaga na prefeitura, mas a integridade moral da gestão pública.
Não há espaço para criminosos do ódio em funções de confiança pagas com dinheiro público.
Cargos públicos não podem ser moeda de troca entre famílias políticas.
O mínimo que se espera do prefeito Ricardo Nunes é a exoneração imediata de Adilson Amadeu.
Neste caso, o silêncio é cumplicidade — e a omissão, uma forma de conivência.
Jornal25News – Independente
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