No bairro do Glicério, coração histórico da imigração japonesa e italiana em São Paulo, um conjunto de casarões do ciclo do café (construídos entre 1890 e 1920) que há décadas sofrem abandono, ocupação irregular e deterioração extrema pode ganhar nova vida. Um projeto de lei complementar apresentado pelo vereador Silvio Natalini (PV) e apoiado pela Secretaria Municipal de Habitação e pelo Condephaat propõe a transformação desses imóveis tombados em moradias populares protegidas, com até 240 unidades habitacionais destinadas a famílias de baixa renda cadastradas no programa municipal de habitação.
O Projeto em Detalhes

O texto, protocolado em dezembro de 2025 e que deve entrar em pauta na Câmara em fevereiro de 2026, prevê:
- Imóveis abrangidos: 12 casarões principais na Rua do Glicério, Rua da Glória e adjacências (entre a Liberdade e o Bixiga), todos tombados pelo Condephaat e/ou IPHAN.
- Modelo: Concessão onerosa ou parceria público-privada (PPP) com incorporadoras sociais ou cooperativas habitacionais.
- Restauração obrigatória: Fachadas, elementos estruturais e detalhes arquitetônicos (vitrais, escadarias, azulejos portugueses) devem ser preservados integralmente.
- Uso interno: Conversão em apartamentos de 30–50 m² (1 a 2 quartos), com áreas comuns (lavanderia coletiva, horta urbana, coworking comunitário).
- Público-alvo: Famílias com renda de até 3 salários mínimos, prioridade para moradores em situação de rua do centro, catadores e trabalhadores informais da região.
- Valor do aluguel/social: Teto de 20–25% da renda familiar (modelo Minha Casa Minha Vida 3 + subsídio municipal).
- Investimento estimado: R$ 180–240 milhões (recursos do Fundo Municipal de Habitação + PPP + incentivos fiscais via ISS e IPTU progressivo).
O projeto é inspirado em experiências bem-sucedidas como a Casa França-Brasil (RJ) e o Conjunto Habitacional do Bixiga (SP), mas com escala maior e foco em patrimônio tombado.
Por Que o Glicério Está em Crise
O bairro, que já foi reduto da elite cafeeira no final do século XIX, depois da imigração japonesa e italiana, e mais recentemente da comunidade boliviana e africana, sofre hoje com:
- Abandono de casarões: 70–80% dos imóveis históricos estão vazios ou ocupados irregularmente.
- Ocupações precárias: Moradores em situação de rua e imigrantes dividem espaços sem condições mínimas de habitabilidade.
- Degradação acelerada: Infiltrações, incêndios, furtos de elementos arquitetônicos (vitrais, portas, escadarias).
- Pressão imobiliária: Incorporadoras querem demolir para verticalizar, enquanto tombamentos impedem a demolição.
Repercussão e Polêmicas

A proposta dividiu opiniões:
- A favor — Movimento de moradia (MTST, Frente de Luta por Moradia), Iphan-SP, Condephaat e arquitetos como Angelo Bucci e Pedro Rivera elogiaram a ideia de “dar uso social ao patrimônio” e evitar demolições.
- Contra — Associações de moradores tradicionais (algumas famílias japonesas e italianas ainda residentes) temem “perda da identidade cultural” e “invasão de pessoas de fora”. Incorporadoras do centro expandido classificaram como “interferência excessiva do Estado no mercado”.
- Críticas pontuais — Alguns especialistas em patrimônio alertam para o risco de descaracterização interna (divisórias, banheiros coletivos) se não houver projeto arquitetônico rigoroso.
O projeto de lei ainda está em fase inicial de tramitação (aguarda parecer das comissões de Constituição e Justiça, Finanças e Política Urbana). A Secretaria de Habitação já sinalizou que pode alocar recursos do Fundo Municipal de Habitação (FHMS) e buscar parceria com o programa federal Minha Casa Minha Vida Entidades.
Se aprovado, o “Renascer do Glicério” pode ser o maior projeto de habitação social em patrimônio tombado da história de São Paulo — uma forma de unir preservação histórica com justiça social em uma das áreas mais simbólicas da cidade.
O Jornal 25News acompanha a tramitação na Câmara e as audiências públicas previstas para fevereiro/março de 2026. O centro de São Paulo pode estar prestes a ganhar não só moradia digna, mas um novo capítulo em sua longa história de renascimentos.
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